Pedro e Otávio são amigos de infância. E também são amigos de noitada. Juntos, eles formavam uma dupla imbatível. Nenhuma mulher escapava deles. Nenhuma. Até o dia em que Otávio conheceu, numa dessas noitadas sempre bem-sucedidas, a Marina. Como dupla é sempre formada por dois e não por três, Pedro e Otávio se separaram. Graças a Marina, a amizade entre os dois esfriou. Assim como as noites da cidade.

A guerra havia acabado. Otávio estava oficialmente fora de combate: o bravo soldado havia sido atingido mortalmente pelo amor.

A Pedro não restara outra alternativa a não ser partir em vôo solo. Sim, a guerra havia acabado para Otávio e não para ele. Embora, no fundo, no fundo, as noites nunca mais foram as mesmas.

Dia desses, quer dizer, noite dessas, mais precisamente às 23h, o telefone de Pedro toca. Quem será? Quem ligaria tão tarde?

Pedro: “Alô?”

Otávio: “Pedro, aqui é o Ota. Beleza? Estou passando aí em 5 minutos. Desce como você está meu irmão…”

Otávio desligara sem ao menos perguntar se Pedro podia ou queria sair de casa.

É claro que Pedro podia e queria. Aquele telefonema era o sinal de que a formação clássica estava de volta. Pedro e Otávio. A noite que se cuide. Pais, tranquem suas filhas em casa.

Pedro desce como combinado. E leva duas latinhas de cerveja para, vocês sabem, começar a noite.

Pedro abre a porta do prédio e encontra Otávio encostado no seu carro. Sim, eles definitivamente estavam de volta.

Pedro: “E aí, Ota, há quanto tempo irmão…qual é a boa?”

Otávio começa a chorar e, entre soluços e lágrimas, balbucia:

“Não vamos a lugar nenhum, cara. A Marina terminou comigo. Me dá um abraço?”